São Paulo 266, Barrichello 257
May 12th, 2008 by Ronaldo
Na última sexta-feira São Paulo bateu um lamentável mas previsível recorde: atingiu 266 km de congestionamento, máxima histórica que logo vai ser derrubada. Não vou estranhar se bater nos 300 km ainda este ano.
O número é amplamente divulgado: entre 500 e 800 carros emplacados diariamente só na capital. Claro que deve haver um pouco de renovação de frota, mas ainda que fosse só a metade, seriam de 7.500 a 12.000 carros entrando todo mês nas ruas, cerca de 100 mil em um ano.
Cem mil carros a mais por ano. Contra a matemática e a física não há Maluf que resolva. Quem sabe com vários níveis de minhocões e avenidas uma em cima da outra, no estilo Minority Report.
Aqui em São Paulo a coisa é tão crítica que qualquer freada mais forte reflete por quilômetros. Ao encontrar congestionamento em um trecho que normalmente é livre, muitas vezes fica-se sem saber qual a causa da anormalidade. Nesse ponto, quem brilha é a Avenida dos Bandeirantes, uma espécie de caminhódromo onde ocorre pelo menos uma quebra ou tombamento por dia, irradiando o problema por toda parte. Esses caminhões poderiam estar contornando a cidade pelo Rodoanel, um anel viário que uniria as rodovias que dão acesso a São Paulo.
Tudo no futuro do pretérito porque, devido às picuinhas entre as esferas de governo e à ação da escória ambientalista que tenta paralisar trechos da obra para salvar espécies nativas de anfíbios, somente um pedaço do Rodoanel está em funcionamento. Quando você estiver parado porque um caminhão tombou na Marginal Pinheiros, tente encontrar consolo no fato de estar contribuindo para preservar alguma rã do Rodoanel…
A coisa mais sensata a fazer é trabalhar perto de casa, ou se mudar para perto do trabalho. O problema é que a era do emprego único para toda a vida já passou há muito tempo, e morar sempre próximo ao trabalho é muito mais difícil. Tanto pior para desenvolvedores de software que são alocados por toda a cidade de acordo com o projeto, e ainda precisam aturar ser chamados de recursos.
Este recurso conseguiu se livrar do inferno diário por uns tempos, trabalhando em casa. Como ainda estou muito longe do status de blogueiro profissional, posso a qualquer momento ter que voltar ao calvário motorizado. É o preço - cada vez mais caro - a pagar para viver em uma cidade cheia de oportunidades na área de tecnologia.
E o que tem o Rubinho a ver com isso tudo?
Nada, mas eu não podia deixar passar a marca histórica de 257 largadas, também conhecida como Troféu Daqui Não Saio, Daqui Ninguém Me Tira. Tanto insistiu em tentar ser campeão com aquela atitude pelega na Ferrari, que acabou faturando um recorde pra lá de duvidoso. Sempre no dia das mães.

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