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Na última sexta-feira São Paulo bateu um lamentável mas previsível recorde: atingiu 266 km de congestionamento, máxima histórica que logo vai ser derrubada. Não vou estranhar se bater nos 300 km ainda este ano.

O número é amplamente divulgado: entre 500 e 800 carros emplacados diariamente só na capital. Claro que deve haver um pouco de renovação de frota, mas ainda que fosse só a metade, seriam de 7.500 a 12.000 carros entrando todo mês nas ruas, cerca de 100 mil em um ano.

Cem mil carros a mais por ano. Contra a matemática e a física não há Maluf que resolva. Quem sabe com vários níveis de minhocões e avenidas uma em cima da outra, no estilo Minority Report.

Aqui em São Paulo a coisa é tão crítica que qualquer freada mais forte reflete por quilômetros. Ao encontrar congestionamento em um trecho que normalmente é livre, muitas vezes fica-se sem saber qual a causa da anormalidade. Nesse ponto, quem brilha é a Avenida dos Bandeirantes, uma espécie de caminhódromo onde ocorre pelo menos uma quebra ou tombamento por dia, irradiando o problema por toda parte. Esses caminhões poderiam estar contornando a cidade pelo Rodoanel, um anel viário que uniria as rodovias que dão acesso a São Paulo.

Tudo no futuro do pretérito porque, devido às picuinhas entre as esferas de governo e à ação da escória ambientalista que tenta paralisar trechos da obra para salvar espécies nativas de anfíbios, somente um pedaço do Rodoanel está em funcionamento. Quando você estiver parado porque um caminhão tombou na Marginal Pinheiros, tente encontrar consolo no fato de estar contribuindo para preservar alguma rã do Rodoanel

A coisa mais sensata a fazer é trabalhar perto de casa, ou se mudar para perto do trabalho. O problema é que a era do emprego único para toda a vida já passou há muito tempo, e morar sempre próximo ao trabalho é muito mais difícil. Tanto pior para desenvolvedores de software que são alocados por toda a cidade de acordo com o projeto, e ainda precisam aturar ser chamados de recursos.

Este recurso conseguiu se livrar do inferno diário por uns tempos, trabalhando em casa. Como ainda estou muito longe do status de blogueiro profissional, posso a qualquer momento ter que voltar ao calvário motorizado. É o preço - cada vez mais caro - a pagar para viver em uma cidade cheia de oportunidades na área de tecnologia.

E o que tem o Rubinho a ver com isso tudo?

Nada, mas eu não podia deixar passar a marca histórica de 257 largadas, também conhecida como Troféu Daqui Não Saio, Daqui Ninguém Me Tira. Tanto insistiu em tentar ser campeão com aquela atitude pelega na Ferrari, que acabou faturando um recorde pra lá de duvidoso. Sempre no dia das mães.

Nos últimos sete anos morei no Portal do Morumbi, ou apenas Morumbi para simplificar. Para quem é de fora de São Paulo o nome Morumbi remete a mansões, mas é muito mais do que isso. Vai desde mansões até Paraisópolis. Mas quem predomina mesmo é a classe média/média-alta, também conhecida no governo federal e nos cursos de humanas da USP como Elite Branca Golpista.

A parte boa de morar lá é o preço: qualquer 1000 reais aluga um apartamento de 3 quartos.

A parte ruim é, digamos, todo o resto. A não ser que se trabalhe no bairro, o deslocamento é um pesadelo diário. O bairro é um grande morro e as ruas muitas vezes não se encontram, serpenteando em curvas intermináveis. O resultado disso é que poucas ruas acabam desembocando na principal via de saída do bairro, a avenida Giovanni Gronchi, eternamente lenta, com os carros que, a cada 50 metros, tentam cruzar para o outro lado dada a impossibilidade de se fazer retornos. Quem cai numa dessas raras vias arteriais que desembocam na Giovanni passa muitas vezes pela agradável experiência de levar 20 minutos para se deslocar 100 metros.

Esse ano chegou no limite, com os congestionamentos na cidade atingindo 3 dígitos pela manhã e passando diariamente dos 200 km à noite. Hoje mesmo bateu o recorde histórico de 266 km e, claro, não há perspectiva alguma de melhorar. E a fatia desse número que cabe ao Morumbi não vai ficar menor.

Basta parar no semáforo e observar as hordas de mocinhas simpáticas tentando empurrar todo tipo de propaganda daquele imóvel dos seus sonhos, que vai finalmente lhe proporcionar a tão sonhada qualidade de vida e o contato com a natureza (a moda é o verde, e o Morumbi é verde). A explosão imobiliária da região vai erguendo torre atrás de torre, cada prédio com algumas dezenas de carros a mais.

Não é incomum gastar 1 hora apenas do portal até a Marginal Pinheiros. Existe a promessa da linha amarela do metrô, mas do jeito que vai, com crateras se abrindo e túneis que não se encontram, deve ser inaugurada em algum momento entre a segunda vinda de Cristo e a inauguração do estádio do Corinthians.

Falando nisso, outro grande empecilho é o estádio em si. Em época de Libertadores é um tormento voltar para casa nas quartas, já que às vezes a CET inventa de bloquear totalmente a Giovanni nas proximidades do estádio.

Diante desse cenário de horror, fugi.

Fugi para a região do Paraíso/Liberdade, com direito a todos os trocadilhos possíveis com o nome desses bairros. A tão alardeada e falaciosa “qualidade de vida” do Morumbi eu espero encontrar - ao menos em parte - por aqui, já que para mim esse conceito passa necessariamente por não perder horas no trânsito.

No processo de mudança descobri que é um pouco mais complicado instalar a NET em um apartamento que nunca foi usado, mesmo que o prédio esteja pronto para a instalação. Existe um trabalho de infra-estrutura específico do apartamento que precisa ser feito antes e que leva uma semana.

Até lá vou apelar para a velha e boa conexão discada, amaldiçoando os sites em flash que não oferecem opção HTML. Modem 3G é inviável, o produto está em falta e eu com orçamento restrito.

É nóis no dial-up !

Eu não imaginava que a condição de salsinha atingisse a classe médica, mas depois do médico do Big Brother que não sabia o que é AVC, tudo é possível.

Eis o que chegou hoje no meu email, do formulário de contato do blog:

da-lhe ronaldo
voce é o melhor
.quando a gente passa por dificuldades, lesoes, lesoes psicologicas, depressao, pouca gente esta ai para ajudar.
nao tenho duvida que voce se meteu numa roubada.
ha 1 ano tambem passei por uma roubada e venho sofrendo psicologicamente para me recuperar.
Voce e o melhor. passa essa pra traz. Fuck everybody.
se dedica. pensa no estadio cheio. o prazer de jogar futebol.
desaparece um tempinho. come as gatas, chama em casa.
se encarna na recuperacao e na forma fisica. tenho 43 anos e meu auge no esporte foi dos 27 aos 34 anos (free surf).
vai la meu brother tu es o the best. tu es rico. espera mais 5 anos pra se aposentar. depois vai ter muito tempo. eu gostaria de me aposentar e nao posso. sou medico anestesista, trabalho pra caralho e to de saco cheio. se quizer um parceiro eu entro em forma contigo.
valeu brother nao se abala com essa porra. toma champagne e come as gatas e imagine sempre o estadio cheio eo prazer de fazer um ggol;..

nao desanima.

Prezado vegetal surfista-anestesista:

Agradeço comovido este email de solidariedade. Só tem um probleminha:

EU NÃO SOU RONALDO NAZÁRIO !!!

E o AdSense que é bom, só 10 centavos até agora.

Povo miserável e burro.

Nesses 6 meses em que fiquei ausente do blog a visitação caiu, como era de se esperar, para uma média de não mais que 20 visitas/dia. Retomando os posts, já subiu para mais ou menos 50.

Mas desde ontem começou uma subida bem maior, sendo que hoje disparou para mais de 140.

Que beleza, pensei.

Até verificar nas estatísticas o verdadeiro motivo da subida: a busca frenética por Ronaldo.

Sendo bem pragmático, vejo que tenho 2 opções:

  1. Ficar reclamando do fato de ter o mesmo nome que um jogador de futebol decadente, semi-analfabeto, vítima reincidente do golpe da barriga e agora consumidor de travestis.
  2. Colocar uns blocos de anúncios e ver se o populacho sedento de escândalos faz algo de útil na vida e me rende alguns centavos.

Não é uma decisão difícil.

Tim Maia Racional 3

Os seguidores da Cultura Racional não vêem com bons olhos a obra Racional de Tim Maia. Falam em fanatismo, distorção, deturpação do sentido original na mensagem do Racional Superior.

Má notícia para eles: no melhor estilo Zagallo, vão ter que engolir mais Tim Maia Racional: já estão disponíveis nas melhores casas de download do ramo as sobras de estúdio da fase Racional: 5 faixas inéditas além de 4 outras que fazem parte de um certo Compacto Racional, que teria sido gravado no período entre o Racional 1 e o Racional 2. Vazaram pela blogosfera afora e estão apenas esperando pelo seu download.

As 5 faixas são:

  • Escrituração Racional
  • Escrituração Racional Take 2
  • Brasil Racional
  • Universo em Desencanto Disco
  • You Gotta Be Rational

Nas duas primeiras, Tim reforça a idéia de que “é preciso ler e reler a escrituração racional”, e que estando “Banhado de Energia Racional / Você será orientado onde estiver / Para que tudo / Tudo dê certo / Pra você”.

Na terceira, ele declama trechos do livro sobre uma base funk.

Na quarta, mais pregação em ritmo disco, inexistente nos álbuns anteriores.

Na quinta e última, Tim ataca em inglês novamente, proclamando que não precisa de drogas, porque é racional: “I don’t need no dope, I am Rational”. Na verdade, havia apenas trocado as drogas convencionais pelo delírio sóbrio Racional.

Leia o depoimento do descobridor das 5 faixas inéditas.

Já o compacto racional são 4 faixas:

  • Brasil Racional - diferente da faixa acima
  • Do Nada ao Tudo
  • Minha Felicidade Racional
  • O Grão Mestre Varonil

Nas quatro faixas parece haver a participação de uma Banda Racional, com muitos backing vocals e um ritmo de marcha e samba. A última faixa é a mesma do Racional 1, repetida à exaustão.

Tim Maia Racional vive. Aguardemos o lançamento do Racional 2 pela Trama e, quem sabe, de um Racional 3.

Enquanto isso, não perca tempo e comece já a se imunizar, para ficar banhado de energia racional.

LEIA O LIVRO UNIVERSO EM DESENCANTO.

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