Blip.Fm: sua chance de conhecer música diferente
Sep 11th, 2008
Convenhamos: ninguém consegue ouvir um único estilo musical. Quem tenta acaba se tornando intragável, levando por demais a sério a si mesmo e ao estilo/banda que ouve. Daà para bradar um “morte aos falsos” é um pulo. Como se você, por ouvir aquele som, tivesse procuração pra julgar quem mais deve ouvir o mesmo som. Não caia nessa armadilha. Se você ouve Iron Maiden 24/7, como este que vos escreve fazia no passado, pare! Nem os músicos que tocam um estilo agüentam ouvir só o próprio estilo.
O problema é que, na internet, as redes sociais sempre tentam aproximar quem tem preferências semelhantes, e o Last.Fm, a grande rede social de música, não é diferente. Aliás, quem tem um gosto muito variado por música se diverte vendo o algoritmo do Last tentando desesperadamente encontrar quem tem um gosto semelhante. E falhando.
Agora, eis que surge uma excelente oportunidade pra quem quer tentar se aventurar pelo mundo do som e sair da zona de conforto musical (rogo para que me perdoem o uso de clichês de auto-ajuda): o Blip.Fm. Nada mais é que um Twitter musical onde as mensagens, além dos 150 caracteres, levam junto uma faixa musical que pode ser tocada. A pergunta aqui é “O que você está ouvindo?”. A dinâmica é a mesma do Twitter: crie o perfil, adicione os amigos (aqui são DJs) , “blipe” suas faixas preferidas e acompanhe o que cada um ouve. Você fatalmente vai acabar descobrindo novos sons e vai pensar em como o mundo seria melhor se cada DJ de FM tocasse o que realmente quisesse, sem a hedionda prática do jabá que nos empurra o MC da semana e infla o preço dos CDs que você já nem pensa em comprar.
A busca de músicas ainda é bem tosca e muitas vezes não retorna o que deveria. Também pode-se fazer upload de faixas que ainda não existem, e aà é que reside o problema (leia-se RIAA). Ou seja, aproveite enquanto não fecham. Ainda faltam muitos tÃtulos, mas dá pra se surpreender, como quando procurei por Damião e Jandek. E encontrei.
Segue uma lista do que eu tenho blipado, respondendo à pergunta do Noronha. Vou colocar dois a mais pra inteirar sete.
Naked in the Afternoon – Jandek
A primeira faixa do primeiro disco desse estranho ente (des)musical chamado Jandek. Se você não sabe o que significa a palavra atonal, ouça Jandek ao violão.
Angel of Harlem – U2
Isso era U2, antes do Bono virar pastor da ONU. Esse disco é o divisor de águas, entre o que eu gostava (antigo) e o que não gosto (atual). Como exercÃcio de diversificação musical, preste atenção na letra e procure ouvir alguma coisa dos nomes que são citados, especialmente Coltrane.
Fade To Black – Metallica
É claro que eu não poderia deixar o finado Metallica de fora. Espero que Lars esteja perdendo o sono e tendo pesadelos com o Blip, afinal só ele mesmo pra dar tanta carga dramática a esse tipo de coisa.
Boiling Point – Le Scrawl
Uma improvável e – por isso mesmo – excelente mistura de jazz com grindcore. Influência declarada do Supersimetria.
Spirits Rejoice – Albert Ayler
Viveu na pobreza, morreu como um cão. Enquanto viveu, tocou um sax sofrido, lamuriento. Esse foi – e é – Albert Ayler.
Tortura de Amor – Waldick Soriano
A justa homenagem ao que parte. Lembranças a Adelino, Soldado e demais.
1308 Registrou Gravou Rose OlÃria Experiença – Damião Experiença
Não há o que dizer. Ouça.
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