Brasil menos obsoleto: adeus ao diploma de jornalismo
Jun 21st, 2009
Está divertido acompanhar o pranto e o ranger de dentes nas redações, depois da queda de uma aberração que só existia no Brasil: a exigência de curso superior para a profissão de jornalista. No resto do planeta, é profissão que se exerce munido de cultura e domÃnio do idioma. Aqui, bastava um pergaminho que atestava que o sujeito passou 4 anos sentado em uma cadeira ouvindo pregação ideológica.
A gritaria tem motivo simples: ao cair a exigência do diploma, o mercado se torna bem maior, e ninguém quer mais competição. Todo mundo quer é uma reservinha de mercado (e, se possÃvel, um atestado médico antes do feriadão). Pela mesmÃssima razão, Fernanda Montenegro foi chorar em BrasÃlia quando o pessoal do esporte e a IURD decidiram que também queriam mamar na Lei Rouanet, aquela mesma que Caetano vai sugar copiosamente.
Ignorância diplomada
Há coisa de 4 anos freqüentei por alguns meses uma faculdade particular de administração de empresas. Havia uma disciplina com o pomposo tÃtulo de Português Instrumental, que nada mais era do que aula de lÃngua portuguesa em compactação máxima. Depois de algumas semanas percebi a razão da existência da cadeira: o nÃvel do português de 90% da turma era pior do que o da minha classe do ensino primário na década de 80. Alguns exercÃcios eram resolvidos por no máximo 4 pessoas em uma turma de uns 40. O resto parecia estar lendo algo escrito em mandarim.
Fico me perguntando: o nÃvel dos alunos de jornalismo será muito melhor que isso? Nessa hora me lembro dos Ãndices de aprovação nos exames da OAB.
Para atestar a qualidade do jornalismo diplomado, pela terceira vez sou obrigado a recomendar a leitura de Como Ler Jornais, onde Janer Cristaldo desfila um rol de atrocidades culturais cometidas por jornalistas com canudo. Pensando bem, leia logo o próprio blog do autor, que está nadando de braçada ao relatar sua saga em universidades inúteis e bares bem mais úteis, além de acompanhar os lamúrios dos figurões do colunismo.
E, por falar neles, não custa relembrar que foi o nosso jornalismo diplomado e varonil que arrebentou a cara ao cobrir o caso da brasileira que forjou o ataque neonazista na SuÃça.
Jornalistas diplomados estão chorando. Blogueiros estão rindo.
Quer rir mais? Confira as mancadas das redações dos grandes portais. E reveja – ou conheça – o caso em que o Jornal de Uberaba (Credibilidade Total!) caiu em um experimento que, na intenção de revelar a credulidade do público em geral, atirou no que viu e acertou também o que não viu.
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