Com a palavra os Dominantes
Aug 15th, 2007
E o Estadão-gate repercute junto aos Dominantes.
O Becher conseguiu uma entrevista com Fillipe Serrano, jornalista do Caderno Link, do Estadão. Fillipe concorda que a campanha foi infeliz, e diz que “Uma propaganda não deve ser encarada com essa seriedade, ou você acredita em tudo que um anúncio diz?”.
Eu, pessoalmente, não acredito em nada do que um anúncio diz. Sendo da área de tecnologia, já me vi na situação de ter que desenvolver em 3 meses softwares que levariam uns 6 meses no mÃnimo, porque “o comercial vendeu assim”. Marketing consiste essencialmente em mentir (ou no mÃnimo em ocultar o que não é interessante ressaltar), em vender um estilo de vida associado a uma margarina ou a um banco, em criar uma palavra sem sentido com sonoridade russa para que idiotas saiam repetindo feito bordão. Considero a tecla Mute dos controles remotos a grande maravilha da criação de Deus.
O problema é a percepção que essa campanha causa. Se os blogs já não tinham uma fama muito boa, não é agora que a imagem vai melhorar junto ao grande público. O negócio é continuar escrevendo e tentando escrever cada vez melhor.
A Talent se pronuncia
Por aqui, o post que escrevi chegou ao conhecimento da Talent, agência criadora da campanha. Um longo comentário no post expõe a visão da agência sobre o assunto.
O comentário, de modo geral, explica que não foi a intenção da campanha generalizar, que há blogs do bem e blogs do mal, que há lugares sombrios (ainda é permitido falar escuro?) e lugares iluminados na internet. Diz, inclusive, que houve surpresa com a reação ao filme do Blog do Bruno, já que o que esperavam é que os blogs se identificassem com o fato de ter seu conteúdo surrupiado pelo sÃmio copiador.
Só que aconteceu exatamente o contrário: os blogs se identificaram com o macaco, porque o texto do filme dá margem à generalização, sim. Dá a entender que blog é aquilo, e apenas aquilo. Se o filme mostrasse um blogueiro - um blogueiro do Estadão, que seja - descobrindo que o seu conteúdo estava sendo copiado e, aà sim, mostrasse o sÃmio em ação, não haveria margem para dúvida.
Normal, acontece nas melhores famÃlias. Uma propaganda pretendia comunicar uma idéia mas é recebida de forma totalmente inesperada e imprevisÃvel. Como nos exemplos que citei do Palio e do Banco do Brasil. É da natureza do publicitário achar que consegue perscrutar os anseios mais profundos da alma humana melhor do que o próprio Javé, mas o fato é que, sendo humanos, também erram.
Sem ressentimentos. Continuo a ler o Estadão.
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