Dia Mundial do Rock
Jul 13th, 2008
Este texto faz parte da blogagem coletiva sobre o Dia Mundial do Rock, iniciativa do Gilson. A idéia é escrever sobre o papel do rock na vida de cada um, como conheceu, etc, de forma livre (free-rock?).
Antes de mais nada, já adianto que de vez em quando sou uma espécie de traidor do movimento, visto que dependendo da época eu escuto pouco rock e mais outras coisas.
Começo difÃcil
Tendo nascido em um lar evangélico, o acesso ao rock era inexistente. Menos por proibição e mais pelo fato de que ninguém em casa e nos cÃrculos de convivência ouvia. Em um ambiente desses é impossÃvel escapar aos hinos religiosos quando se é criança e não dá pra sair de casa. Mas se fui privado do rock em idade mais jovem, por outro lado fui protegido da ameaça da MPB e das seitas relacionadas, já que esse estilo também não entrava em casa. Há vantagens e desvantagens em tudo na vida.
Por muito tempo fiquei só nas FMs, ouvindo o pop oitentista. O primeiro contato com rock propriamente dito se deu quando conheci o U2. Isso foi em 1988, quando lançavam o Rattle and Hum. Logo percebi a diferença entre apenas ouvir e ser fã: eu queria mais informação, queria ouvir os outros discos, saber quem eram os caras, etc. Me dei mal, acabei pegando o U2 bem no fim da fase que eu gosto. Logo em seguida a banda daria uma guinada esquisita e se tornaria o que é hoje, um som bem diferente do que eu gostava e um vocalista messiânico que só deveria abrir a boca pra cantar. No show de São Paulo – me disseram, eu não fui – ele era chamado de Bozo Vox sempre que pegava o microfone pra fazer pregação. Faz uma boa dupla com Lula.
O metal chama
Mas o meu destino era o som mais pesado. Em 1990 me apresentaram uma banda chamada Metallica. Depois do choque inicial ao ouvir aquele nÃvel de peso, vi que gostava daquele tipo de som.
Algumas semanas depois, a revelação: caiu na minha mão um walkman com uma fita K-7: era um disco chamado Seventh Son of a Seventh Son. Aà não havia mais como escapar depois de ser pego pelo Iron Maiden. A coisa foi ao ponto de eu comprar guitarra (uma saudosa Fender Squier), aprender as músicas e tocar Running Free em um pequeno festival de uma escola de música.
Conselho: nunca venda sua primeira guitarra. Você VAI se arrepender.
Só que algo estava incompleto. O único show do Iron que eu tinha visto foi o de 1998 com Blaze Bayley, ou seja, um fiasco. Faltava algo. Não pude ir ao Rock in Rio 3 para o grande show da nova formação (antes do Rock in Rio virar uma piada geográfica). Finalmente aconteceu, em 2004: o show do Maiden no Pacaembu. Quase fui esmagado mas vi tudo de perto. Já podia partir para o banquete de Odin em paz.
Eu ainda me aventuraria pelos negros caminhos do death/black metal (salve Marduk – ambos) e pela barulheira do grindcore. Napalm Death!
É claro que eu já havia abandonado o caminho estreito há muito tempo. Seria ligeiramente incompatÃvel com o black metal, por exemplo.
E o rock?
Nunca fui exatamente fã de bandas ditas clássicas, como Beatles, Stones, Queen. Nem fui muito com a cara do som de Seattle na década de 90 (estava em pleno auge do fanatismo metal). Admito que ainda falta conhecer muita coisa antiga, tenho mais de 15 mil músicas em mp3 e não ouvi nem 20% ainda.
Do rock propriamente dito sou muito fã de uma banda/corporação/instituição chamada KISS. Desde os primeiros sons até hoje. Tive inclusive o privilégio de assistir ao show de Interlagos. Gostava particularmente do finado Eric Carr. Poucos discos têm um som de bateria como Creatures of the Night.
Do fanatismo ao som
A idade costuma amansar o fanatismo, e comigo não foi diferente, como está bem explicado no post sobre os Guerreiros do Metal. Isso foi benéfico inclusive para o próprio rock/metal: antigamente eu não suportaria ouvir o Load do Metallica. Ouvi faz algum tempo e achei muito bom. Claro que é outra banda, mas o som é bom e ponto.
Viva o rock, que não apenas se recusa a morrer – ao contrário do que a mÃdia modernosa adora anunciar a cada 2 ou 3 anos – como se renova a cada dia, se funde numa boa com outros estilos gerando descendentes e costuma aparecer nos lugares mais insuspeitos.
Pra encerrar, dois vÃdeos. Aces High (com discurso de Churchill e tudo) e You Suffer (salve o grind):
Leia também a história de cada um dos outros blogueiros participantes:


Assinar por email:
[...] Comentários « Dia Mundial do Rock [...]
[...] Blog do Ronaldo [...]
Acho que o bacana da idade é realmente poder admitir que alguns momentos foram legais, outros nem tanto e poder abandonar o fanatismo dos primeiros anos da vivência no Metal. Só para te deixar com inveja eu assisti ao show da turnê do Fear of the Dark que seria a turnê de despedida do Bruce Dickinson quando ele deixou o Maiden. Essa é a recordação mais bacana dos meus anos no rock.
Eu lembro desse, foi no Parque Antártica. Claro que eu me amaldiçoei por ter perdido, já que achava que Bruce nunca mais.
Quando eu ouvia Metallica pra cacete, não queria saber de nada que fosse antigo e tivesse bateria com som de panela. Acho que foi o Creedence que me levou pra essas bandas antigas. Ainda tem muita coisa que não ouvi e muita coisa que não gosto, mas o rock progressivo, por exemplo, está lá.
Hoje eu gosto dos Beatles (eu odiava até uns anos atrás quando resolvi ouvir o Revolver), Stones, The Who e o “Deus-os-abençoe” Led Zeppelin….
E não vendi minha Fende Squier branca!!! A guitarra mais pesada (literalmente) do mundo!!
Abraço!
[...] Blog do Ronaldo -> Brejo do Sarneba -> Criticas Construtivas -> Dente Preto -> Dudu Tomaselli -> Leite de Vaca -> [...]
[...] Saturou. Ninguém agüenta mais. Já comentei no post sobre o Dia do Rock de como ele era chamado de Bozo Vox no show em São Paulo sempre que fazia o uso errado do [...]
Ôrra! Também fui nesse show do Maiden de 2004 no Pacaembú, sai de busão junto com um amigo daqui de Sertãozinho, viajei por quatro horas, me aventurei no metrô e andei a pé por São Paulo pra encontrar o estádio, mas valeu muita a pena!