Estadunidense: esse bicho morde?
Sep 21st, 2007
Um dos sintomas mais claros de antiamericanismo agudo é usar o termo estadunidense para se referir a americanos.
A palavra existe e consta nos dicionários, mas é daquelas que ninguém usa. Ou melhor, ninguém usava, porque parece que a moda está pegando. Nesse modelo de isenção que é a wikipedia em português, conta-se o uso do termo por 18 vezes no verbete Estados Unidos da América. Veja aqui o pensamento típico de quem advoga essa prática.
O uso é sempre político, embora muitos não admitam. A explicação oficial é que americano é quem nasce nas Américas, portanto não seria uma designação suficiente. Norte-americano também não, já que o México e o Canadá também fazem parte da América do Norte. Entendeu? É só questão de clareza. Lindo na teoria, inviável na prática.
Já que é assim, proponho unificar de vez os gentílicos. Que tal eliminar palavrões como ludovicense, soteropolitano e manauara e trocar por sãoluisence, salvadorense e manausense?
Poderíamos também adotar riodejaneirense, paulistense, paulistanense, riograndedosulense, riograndedonortense, paraibense, pernambuquense, minasgeraisense, espiritosantense e por aí vai. Piauienses, cearenses, paraenses e paranaenses já estariam em conformidade, mas catarinenses talvez tivessem que mudar para santacatarinenses.
Ainda a título de clareza, eu não seria mais anastaciano, e sim santoanastaciense, para diferenciar Santo Anastácio (SP) de Anastácio (MS).
Pra que ficar restrito ao Brasil? Mudemos o nome da República da África do Sul (sugiro Mandelândia), afinal Namíbia, Botswana, Zimbabwe e Moçambique também são repúblicas e também ficam no sul da África.
Acho que vou propor a idéia ao excelentíssimo deputado Aldo Rebelo.
Technorati: estadunidense, antiamericanismo
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[...] guevaras de butique. Estava me tornando um deles (mais um pouquinho e começaria a utilizar o termo estadunidense), mas consegui me [...]
[...] a cultura em questão a americana, acabou despertando a ira dos revolucionários (aqueles que falam estadunidense). Então a rebelião contra-atacou: criaram o Dia do Saci. Ganha um doce de Halloween quem [...]
Oi
Se não é “Estadunidense” é o que então? Americano?? Se for, da onde é especificamente? Qual das Américas? Central, do norte, do sul…?
Digamos q quem nasce em EUA seja “norte-americano”… mas como identificar a origem de alguém q fala simplesmente ” norte - americano”.Pode ser do Canadá, tb não? EUA, sosinho, não compõe a América do Norte.
Falar “estadunidense” como caracterização e identificação a tudo que é relacionado a EUA não é errado nem anti-americanismo de quinta. É muito mais do que rótulos preconceituosos. É um grito de liberdade. É um grito contra o roubo - pq não? - da identidade de todos q nascem, pertecem as Américas e tem o direito de sererm chamados americanos. Isso é como propriedade cultural do novo mundo que não pode nem deve ser usurpado - ou continuar sua usurpação, melhor dizendo - pelo nação estadunidense. Compactuar com o uso indiscriminado do termo “americano” como identificação de estadunidense é compactuar com esse crime de usurpação, é desvalorizar, se auto-excluir de algo que somos: americanos.
E sobre os termos que definem os nativos de alguns estados brasileiros serem específicos, diferentes da nomenclatura para o estado isso é oouuuutro caso. Não há um estado se apoderando de um termo que retrate outros. Ninguém se sente roubado em sua identidade ou, pior, ninguém tem de brigar ou pedir licença para usar um termo que também é seu. Quem é de Salvador, por exemplo, pode sim ser intitulado soteropolitano. Ou, por acaso, há algum outro estado, nação, continente que se sinta roubado em não “poder” usar esse termo?
Por isso q estadunidense é o termo q corretamente se relaciona a USA e graças a Deus vem surgindo a tona, assumir o seu lugar. Falta um longo caminho a ser trilhado para seu domínio mas já é um início.
Abraço,
Kelina Saldanha.
A imposição desse termo é uma mostra de como nós brasileiros somos um povo de recalcados.
Essa estória de “estadunidense”, “norte-americanos”, etc, mais parece inveja mesmo! E, como disse o colega Krystlonc, caracteriza-se tambem como recalquice realmente. Bem, vejam, se os EUA como maior representante das américas não fossem americanos não haveria com certeza essa questão em se querer também ser americano! Disso tenho certeza. Esses que fazem questão de termos “lógicos” é simplesmente porque querem também a patente de americano que seja do Sul, Central ou o escambau!
[...] anti-americanismo gratuito, mas dessa vez quase deu vontade de chamar esse Bob Dylan genérico de estadunidense. Já era amigo, perdeu. Bem vindo ao século XXI. E depois, quem disse que a InBev vai mexer na [...]