Exemplos
Sep 4th, 2007
Um comissário da comissão de saúde da União Européia está trabalhando para banir a propaganda de cigarro de vez da Fórmula 1. A idéia pode até ser nobre, mas a justificativa do cidadão é ridÃcula, para dizer o mÃnimo:
“A F-1 é um sÃmbolo. Nós temos que limitar as propagandas de cigarro o máximo que conseguirmos, para diminuir a influência nas pessoas”, comentou o grego, que enxerga os pilotos como modelos para os jovens.
Pilotos são modelos? Modelos de que, exatamente? A julgar pelo bando de robôs politicamente corretos da Fórmula 1 atual, são no máximo modelos de motoristas, com todo o atual protocolo de ultrapassagens: uma mudança de trajetória e nada mais, depois assista passivamente à passagem do adversário. Só falta recomendar que dirijam na faixa da direita e usem a seta nas curvas.
Piloto é – ou deveria ser – modelo de como acelerar um carro de forma competitiva. Deveria despertar nos jovens a vontade de acelerar (em um autódromo, bem entendido), se bem que a maioria hoje não consegue sequer despertar a vontade de ver as corridas. Um cara de 20 e poucos anos, milionário e famoso deveria ficar se preocupando com a imagem que está passando à juventude, ou deveria curtir esse estilo de vida de sonho, privilégio de pouquÃssimos, em uma etapa da vida que passa tão rápido?
Há quem prefira constituir famÃlia desde cedo, nada errado nisso. Só que isso não necessariamente implica que esse piloto será modelo de coisa alguma. Desde quando peleguismo é modelo para jovens – ou até para os próprios filhos, por exemplo?
Piquet era o exemplo tÃpico de um piloto que gostava do que fazia mas não era obcecado com a profissão, como o finado Senna costumava ser. Morava em um barco em Mônaco. Depois, David Coulthard levaria este estilo de vida a outro patamar, com as famosas festinhas em seu iate, chegando inclusive a fazer um sucessor, SÃmio Raikkonen (não, ele não é blogueiro).
Quem melhor respondeu a essa bobagem de que atletas de alto nÃvel são modelos de comportamento foi Charles Barkley, marrento Ãdolo da NBA da década de 90, neste comercial da Nike:
Basicamente o que ele diz é: “Eu não sou um modelo de comportamento. Não sou pago para ser um modelo de comportamento. Eu sou pago para destruir numa quadra de basquete. Pais deveriam ser modelos de comportamento. Só porque eu sei enterrar uma bola de basquete, não quer dizer que eu deveria educar seus filhos”.
Perfeito. Só faltou falar “Denny Crane” no fim.
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Dois pontos Ronaldo.
Primeiro que concordo com você, nenhum deles serve como um bom modelo.
No entanto, existe um segundo ponto. Muitos jovens se espelham neles para ser alguma coisa. Se são bons modelos ou não o fato é que eles acabam servindo como um.
Peguemos o exemplo do Ronaldinho Gaúcho, qual o brasileiro que não gostaria de ser como ele ?
Se o atleta servir como modelo de perseverança, superação de dificuldades, etc, pode sim ser usado como exemplo. O próprio esporte costuma ser usado nesse contexto, e funciona. Mas exemplo da superação em si, não de como ser um bom menino. Essa parte cabe aos pais, como disse Barkley.
Ronaldinho é um exemplo, mas Romário também é. Ele nunca deixou de ir p/ as farras em vez de treinar, e mesmo assim também inspirou muita gente. Aà vai mais da identificação de cada um com a personalidade do Ãdolo.
Nenhum serve como “modelo”!!!