Hoje é Sempre
May 1st, 2009
Ainda 2003, o ano que quase não terminou.
Depois de erguer o altar quântico, passamos a outro aspecto da física: o tempo, que era constantemente distendido nessa época. Nascia Hoje é Sempre.
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A fotografia da capa foi tirada em uma divertidíssima tarde, com um coração bovino, engrenagens de relojoaria e vários exemplares de Periplaneta americana, essas simpáticas baratas com chips nas costas, que com certeza vão fazer a alegria das fãs e leitoras. Hoje, um pouco menos ignorante em fotografia, sei que não deveria ter utilizado essa placa de cortiça como fundo.
O disco já abre logo com um microfonal. Lembram-se de Tietê, onde foi profetizado como a civilização sucumbiria no dia em que os bits parassem de trabalhar? Em Micro phono Alles um pronunciamento pouco inteligível e diluído em delay desenha esse cenário de escombros e ruínas, com gravatas estiradas pelo chão. Mais ou menos como Tyler Durden via o futuro, só que nas avenidas Paulista e Berrini.
Onde há mar é, há mar é talvez a primeira tentativa da banda de fazer um som, digamos, musical. O guitarrista convidado não voltou mais a Arbória.
Em TempEspaço nosso velho amigo Vaz nos leva por mais uma viagem na modulação de ondas.
Anti-jazz 4D dá uma palhinha do estilo atormentado de tocar sax que nos caracteriza. No final, um punk no estilo finlandês. Salve a terra de Kimi Raikkonen.
Mandinga Quântica é um segundo microfonal, meio atmosférico, com o inevitável baixo em delay. Um perturbador pronunciamento transbordando de efeitos declama Mário de Sá-Carneiro, perfeito dentro da temática do disco: “Para mim é sempre ontem. Não tenho amanhã nem hoje”.
Periplaneta americana é uma homenagem às musas da capa do disco. Baterismo obsessivo, notas de Peter Brötzmann e um vocal quase lírico.
Lake of Fire recicla o Guerreiro do Metal, em modo guitarless.
A corneta de Satã: nada mais que uma sátira ao grindcore.
Se o disco abre com um microfonal e passa por outro, fecha com um terceiro: Hoje é sempre, uma homenagem a Vultan.
Hoje é sempre.
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