Indy 500: Redenção na Terra Santa
May 24th, 2009

Maracanã? Que Maracanã? Aqui passa de 200 mil…
Muita gente ainda comete o erro. Domingo após domingo, sintonizam na Globo achando que, talvez, testemunhem um novo GP de Dijon 79. Olham com olhos do passado, não sei. Claro que não me refiro aqui à massa que costuma dizer que “depois que ele morreu perdeu a graça”. Falo de fã de corrida.
O fato é que se recusam a ver qual é a categoria que realmente vale a pena ser assistida. Alegam que “oval é monótono” enquanto assistem a verdadeiras procissões, essas sim tão monótonas como uma missa. Perdi a conta de quantas vezes vi corridas da Indy decididas na última volta, na foto mesmo. Enquanto isso, na Europa e na Ásia, Ross Brawn e aquela palhaçada de “bring the babies home”. A celebração do anti-clímax.
Sono pela manhã, corrida à tarde
Hoje é o último domingo de maio, ou seja, dia de 500 milhas de Indianápolis. O circuito comemorava os 100 anos de existência (a edição não era de número 100 porque o sinhô Adolfo Hitra se encarregou de causar o cancelamento de algumas edições). Teve até cantor interpretando Amazing Grace, afinal trata-se de uma nação de Deus.
Na corrida, 4 brasileiros tiveram o carro destruído. E um atingiu a redenção.
Todo mundo acompanhou o drama de Hélio Castroneves, acusado de sonegação fiscal e evasão de divisas. E na terra de Al Capone, isso não é brincadeira: ele foi levado ao tribunal de roupa laranja e algemado nas mãos e tornozelos. E ainda sobrou para a irmã. Depois de viver no inferno por alguns meses, foram absolvidos dias antes da corrida. Detalhe: a Indy 500 é uma corrida especial que dura um mês inteiro. A classificação é na segunda semana e ele já tinha garantido a pole antes da sentença final.
Por mais de uma vez a equipe trabalhou mal nos pits e ele voltou perdendo posições. Mas oval é oval. Lá eles têm esse costume feio de ultrapassar dentro da pista. E nas 50 voltas finais, onde a coisa se decide, ele já liderava. Até a quadriculada.
Ganhou pela terceira vez a maior e mais tradicional corrida de automóvel do mundo, superando Émerson Fittipaldi. Subiu no alambrado no seu estilo próprio e nasceu de novo. História de Hollywood, melhor que o filme do filho de Xenu.

Solo sagrado
As últimas 18 voltas, depois da última bandeira amarela? Foram de pura tensão para quem assistia. Era verdadeiramente o ato de torcer. Enquanto isso, no principado de Mônaco, aquele que tem a estrela nas nádegas seguia em sua sina eterna e Galvão Bueno repetia “Isso é a Fórmula 1 !”, em uma vã tentativa de acordar o telespectador. Eu bocejava e concordava com ele.
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