Me livrei do Morumbi mas retornei à conexão discada
May 9th, 2008
Nos últimos sete anos morei no Portal do Morumbi, ou apenas Morumbi para simplificar. Para quem é de fora de São Paulo o nome Morumbi remete a mansões, mas é muito mais do que isso. Vai desde mansões até Paraisópolis. Mas quem predomina mesmo é a classe média/média-alta, também conhecida no governo federal e nos cursos de humanas da USP como Elite Branca Golpista.
A parte boa de morar lá é o preço: qualquer 1000 reais aluga um apartamento de 3 quartos.
A parte ruim é, digamos, todo o resto. A não ser que se trabalhe no bairro, o deslocamento é um pesadelo diário. O bairro é um grande morro e as ruas muitas vezes não se encontram, serpenteando em curvas intermináveis. O resultado disso é que poucas ruas acabam desembocando na principal via de saÃda do bairro, a avenida Giovanni Gronchi, eternamente lenta, com os carros que, a cada 50 metros, tentam cruzar para o outro lado dada a impossibilidade de se fazer retornos. Quem cai numa dessas raras vias arteriais que desembocam na Giovanni passa muitas vezes pela agradável experiência de levar 20 minutos para se deslocar 100 metros.
Esse ano chegou no limite, com os congestionamentos na cidade atingindo 3 dÃgitos pela manhã e passando diariamente dos 200 km à noite. Hoje mesmo bateu o recorde histórico de 266 km e, claro, não há perspectiva alguma de melhorar. E a fatia desse número que cabe ao Morumbi não vai ficar menor.
Basta parar no semáforo e observar as hordas de mocinhas simpáticas tentando empurrar todo tipo de propaganda daquele imóvel dos seus sonhos, que vai finalmente lhe proporcionar a tão sonhada qualidade de vida e o contato com a natureza (a moda é o verde, e o Morumbi é verde). A explosão imobiliária da região vai erguendo torre atrás de torre, cada prédio com algumas dezenas de carros a mais.
Não é incomum gastar 1 hora apenas do portal até a Marginal Pinheiros. Existe a promessa da linha amarela do metrô, mas do jeito que vai, com crateras se abrindo e túneis que não se encontram, deve ser inaugurada em algum momento entre a segunda vinda de Cristo e a inauguração do estádio do Corinthians.
Falando nisso, outro grande empecilho é o estádio em si. Em época de Libertadores é um tormento voltar para casa nas quartas, já que às vezes a CET inventa de bloquear totalmente a Giovanni nas proximidades do estádio.
Diante desse cenário de horror, fugi.
Fugi para a região do ParaÃso/Liberdade, com direito a todos os trocadilhos possÃveis com o nome desses bairros. A tão alardeada e falaciosa “qualidade de vida” do Morumbi eu espero encontrar – ao menos em parte – por aqui, já que para mim esse conceito passa necessariamente por não perder horas no trânsito.
No processo de mudança descobri que é um pouco mais complicado instalar a NET em um apartamento que nunca foi usado, mesmo que o prédio esteja pronto para a instalação. Existe um trabalho de infra-estrutura especÃfico do apartamento que precisa ser feito antes e que leva uma semana.
Até lá vou apelar para a velha e boa conexão discada, amaldiçoando os sites em flash que não oferecem opção HTML. Modem 3G é inviável, o produto está em falta e eu com orçamento restrito.
É nóis no dial-up !
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É, voltar para internet discada não é tarefa fácil…
Mas pelo menos você terá mais tempo, pois economizará com o trânsito!!
Acho que no Ãnicio é duro, mas vai ter banda-larga logo man. São Paulo está um caos msmo, mas aqui em Salvador está ficando no mesmo nÃvel.
Já voltou, a NET foi bem rápida no atendimento.