O estranho mundo musical de Jandek
Jun 25th, 2007

Imagine um músico que gravou mais de 50 álbuns desde 1978 e, desde 2001, mantém uma média de dois novos álbuns por ano.
Imagine que ele não sabe tocar guitarra nem violão nem bateria. Mas toca assim mesmo.
Imagine que o ritmo de algumas de suas músicas é muito, muito, muito lento. Às vezes ele sussura, Às vezes grita a letra.
Imagine que alguns de seus discos são apenas textos narrados, sem qualquer melodia.
Imagine algumas das mais estranhas capas, como essa abaixo.
Imagine que ele nunca fala com a imprensa, ou revela qualquer informação sobre si mesmo, sequer seu verdadeiro nome.
Este artista existe. É americano de Houston, Texas, seu nome artÃstico é Jandek e tem essa cara de serial killer. Não tem site oficial, mas tem um ótimo site não-oficial, A Guide to Jandek.
Ausência de Informação
Na verdade, não se sabe se Jandek é o nome artÃstico do músico ou o nome do projeto. A própria ausência de informação a respeito acabou gerando algumas correntes de interpretação entre os fãs. E ainda há os que apostam que o próprio se diverte ao ver as tentativas de se interpretar o que ele faz. Eu acho que essa é a mais provável. Pelo menos é o que eu faria.
Os álbuns são editados pela Corwood, o selo do próprio músico. Recentemente ele começou a tocar ao vivo, mas até aà ele se recusa a dar maiores informações, identificando-se como um “representante da Corwood”.
Até hoje só deu uma ou duas entrevistas, e em nenhum momento se identificou como o músico dos álbuns. Especula-se que seu nome seja Sterling Smith, mas esse é o nome do representante, não de Jandek. Ou será que é? Qualquer semelhança com a dualidade Damião Experiença/Damião Ferreira da Cruz não terá sido mera coincidência.
Ausência de Tonalidade
Não é exatamente um som fácil de se ouvir, à s vezes é tão lento que se torna depressivo (mas, até aÃ, temos João Gilberto). Na maioria das vezes é completamente atonal. Não que ele se importe com o possÃvel e provável tormento auditivo de quem se atrever a ouvi-lo. Fases acústicas alternam-se com perÃodos de caos elétrico e percussão sem ritmo. Os discos narrados são um desafio ao mais ardoroso fã. Eu já disse que a cadência é muito lenta?
Se você gosta de música, digamos, incomum, procure por Jandek no Soulseek ou no Blip.Fm. Também há vários registros no YouTube. Caso contrário, fique longe.
Ouça Naked In The Afternoon, do álbum Ready For The House:
Veja Jandek em sua primeira apresentação ao vivo, em Glasgow, Escócia (2004):

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esse tipo de som auternativo existe em quantidades absurdas pelo mundo. Coisas que apenas uma pequena parcela da população acaba conhecendo, justamente por conta de uma proposta radical. Eu particularmente não curto muito. Música tem que ter melodia e passar sentimento. De preferência alegre, hehe.
Jandek é tudo, menos alegre
[...] primeira faixa do primeiro disco desse estranho ente (des)musical chamado Jandek. Se você não sabe o que significa a palavra atonal, ouça Jandek ao [...]
[...] Elevado volume de produção musical: ela começou tarde, mas a manter o ritmo de 1 a 2 novos álbuns por ano, logo chegará à primeira dúzia. Essa freqüência de 1 a 2 por ano lembra também Jandek. [...]
Musica radical é , por exemplo, Tom Waits.
A musica por mais marginal que seja, tem que ter uma estrutura.
Isso aÃ, não tem nada de criatividade. Criatividade exige talento e muiiiiiiiiito trabalho.