O que a dublagem não mostra
Jul 26th, 2007
Eu até gosto de algumas dublagens clássicas de desenhos antigos como Picapau, Fantomas, Shadow Boy ou velhos filmes de Sessão da Tarde. Mas de modo geral dublagem é uma porcaria. Perde-se sempre: seja um sotaque, um trocadilho, a própria emoção que o ator tenta passar.
E o que é pior: muitas vezes o texto original é intencionalmente omitido. Foi o que aconteceu numa dublagem recente dos Simpsons.
A bronca é antiga. Quando aconteceu o episódio dos Simpsons no Brasil a Riotur resolveu criar confusão pelo fato do episódio retratar macacos nas ruas, crianças batendo a carteira do Homer, etc. Muito barulho por nada. Os Simpsons satirizam todos os países que visitam. Mas aqui, no país que se pretende o melhor do mundo, os brios dos homens do turismo foram feridos. Pedidos de desculpa foram exigidos, um vexame ridículo e completamente desnecessário.
Resultado? Em um episódio posterior, descobrimos que o macaco motorista de Krusty é brasileiro, e que “o problema dos macacos no Brasil piorou desde a última vez”. Mau humor dá nisso: você vira alvo permanente de piada.
Numa das investidas mais recentes, o Brasil é citado como lugar imundo, no texto original. Na versão dublada, nenhuma menção ao país. Veja e tire suas próprias conclusões:
Eu até gosto da dublagem brasileira. Claro que é preciso relevar coisas como o Moe e o Flanders já terem tido a mesma voz (é famoso o descaso com que se atribui vozes a personagens no Brasil). Mas isso é palhaçada.
Via De Gustibus
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hehehehe, tem um anime japonês chamado Hellsing, onde o Brasil é colocado como uma nação nazista, pelo fato de vários criminosos de guerra terem se escondido por aqui. E o desenho também mostra que os oficiais da polícia são todos corruptos e vendidos. Ainda bem que esse desenho não faz sucesso por aqui, senão seria mais vergonha para nossos governantes.
A dublagem por aqui é uma porcaria mesmo. Por isso que me recuso assistir a filmes dublados. Por aqui tanto o Quarteto Fantastico quanto o Shrek 3 só vieram em cópias dubladas. O resultado disso é que vou esperar o DVD para assistir aos filmes.
Filme dublado é uma porcaria mesmo. Mas Shrek 3 e o Quarteto Fantástico tinham cópias legendadas aqui em Brasília.
Tem alguma coisa estranha aí. Usou-se um exemplo isolado e generalizou-se. Acho que a freqüência de obras em que a dublagem altera compremetedoramente o texto é muitíssimo baixa.
Mas isso é lugar-comum, pegar casos isolados e tentar fazer parecer que os defeitos dessas acontecem sempre, o que é uma grande mentira. O que me impressiona é que nunca vi ninguém que tenha se disposto a pesquisar um mínimo sobre dublagem para criticar. As pessoas vêem obras dubladas, acham que entendem como funciona todo o processo e que têm todo o embasamento necessário para fazer críticas.
Tem gente que acha que os dubladores vão até as emissoras dublar… ou que são eles que traduzem o texto na hora, e que eles é que decidem se vão ou não manter os palavrões da versão original.
Enfim, como os odiadores de dublagem dizem não ter preguiça de ler, aqui vão dois links muito instrutivos:
O que é uma crítica? - http://guibriggs.blogspot.com/2007/12/o-que-uma-crtica.html
A dublagem do filme foi ruim? Reclame!
http://cler.wordpress.com/2007/05/22/a-dublagem-do-filme-foi-ruim-reclame/
[...] isso é irrelevante. Afinal, o que realmente importa é sanitizar a dublagem, [...]
Realmente a dublagem é coisa séria, que muitos profissionais não se preocupam tanto, pois ainda temos de ouvir os vícios de linguagem que nunca poderiam acontecer, tais como:
- Nem nunca - redundância do reforço de negativas;
- Certeza absoluta - certeza já é afirmação absoluta, plena;
- que que - cacofonia pronominal;
Nesse abuso linguístico, vem a incoerência da conjunção “que nem”, empregada como artifício de igualdade. Um absurdo gramatical. Ex.:
Ela é que nem sua irmã. Igualdade?
Ela é ‘do jeito que’ nem sua irmã é. Diferença ou grau de superioridade.
Espero que os estúdios de dublagem sejam mais responsáveis na hora de dublar os filmes.
Obrigado.