Blog do Ronaldo - Página 2
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A InBev, mega corporação mundial do lúpulo, acaba de ficar ainda maior: não satisfeita com a brasileira Ambev, comprou a Anheuser-Busch, fabricante da Budweiser, aquela Skol americana que, na falta de água mineral, mata bem a sede. Preço? 52 bilhões.

Até aí, nenhuma novidade. Esse parece ser mesmo o caminho inevitável. Daqui a 20 anos o mundo vai ter apeas meia dúzia de empresas: um banco, uma cervejaria, uma montadora, uma empresa de software, o Wall Mart e a Carver Media Group Network.

Só que dessa vez a coisa doeu no coração americano. Feriu o orgulho nacional. Sites foram criados protestando contra a aquisiçao: saveab.com e savebudweiser.com. Só faltou alegar segurança nacional.

Mas quem superou tudo em matéria de ridículo foi um músico amador, Phil McClary, que compôs uma “canção de potresto” intitulada Kiss Our Glass. A letra é um primor: compara a Bud ao Baseball (eu concordo plenamente, um é tão desinteressante quanto o outro), exalta as glórias do país, a conquista da Lua, diz que já ergueu vários brindes aos soldados no Iraque, etc. E no final, emenda:

All you hard working Americans stand up and show some class, Have a drink with Mother Freedom and tell InBev to Kiss your Glass.

Sim, o cara teve a manha de fazer um trocadilho com kiss you ass

Livre iniciativa no dos outros é refresco

Cadê a pátria da livre iniciativa, da concorrência, free market, etc? De repente, tudo virou uma questão de soberania nacional! Políticos protestaram, alegando que empregos estariam ameaçados e que parte da cultura americana cairia em mãos estrangeiras. Será que fazem idéia de que a Dell tem um call center lá na terra do Apu, dando emprego aos Vijays em vez de aos Johnsons?

Eu não gosto de anti-americanismo gratuito, mas dessa vez quase deu vontade de chamar esse Bob Dylan genérico de estadunidense. Já era amigo, perdeu. Bem vindo ao século XXI. E depois, quem disse que a InBev vai mexer na Budweiser? A Coca-Cola não tocou no Guaraná Jesus quando adquiriu a marca. O nosso amigo vai poder continuar brindando aos soldados no Iraque com a mesma cerveja. Só que agora ela tem dupla nacionalidade.

Ele devia é criar vergonha e gastar seu violão valorizando as verdadeiras cervejas americanas das dezenas de microcervejarias que ele nem faz idéia que existem, em vez de ficar louvando uma pilsen insossa. Só falta pedir a volta da Pan-Am.

Eis o vídeo da obra de arte, divirtam-se:


Link do Vídeo

Eis a letra:

We’ve got Momma’s apple pie and baseball too, Lets not forget we were the first up on the moon… Great accomplishments aside one things perfectly clear, America is not for sale and neither is her beer.. Oh AB you’re Americana as Americana can get, Don’t sell your slice of the American dream cause History won’t forget, All you hard working Americans stand up and show some class Have a drink with Mother Freedom and tell InBev to Kiss your Glass… I drank a bunch of cold Budweiser’s, watched Dale Sr rule the track, Toasted a frosted mug of Bud light, To every soldier in Iraq I got silly drunk and crazy, Praise the Lord I never wrecked, I had a designated driver the day I married my best friend Bud Select- Oh, Augie I never knew you, Nor any of your kin, But sell the stock, this world will rock, We might just switch to Gin.. All you hard working Americans stand up and show some class Have a drink with Mother Freedom and tell InBev to Kiss your Glass… Now God Blessed the Clydesdale, the Arch and Old St Louis, Mr. Buck and Mr. Shannon God Blessed both of you too… Every time I think of Baseball, Busch Stadium, Cold Beer… It’s A.B. Products that makes every memory Clear… Oh AB you’re Americana as Americana can get, Don’t sell your slice of the American dream cause History won’t forget, All you hard working Americans stand up and show some class Have a drink with Mother Freedom and tell InBev to Kiss your Glass… Kiss your Glass, Have a drink w/Mother Freedom and tell Inbev to kiss you… RED WHITE & BLUE GLASS!

Está rolando um meme refrigerado em alguns blogs, por iniciativa da Dra. Liliana. A brincadeira, que consiste em apresentar a própria geladeira à sociedade, foi motivada pelo caso geladeiragate, desencadeado pelo Fail-Bus.

E eu que pensava que o meio publicitário em si era indigesto o suficiente, acabei tendo o desgosto de conhecer uma espécie de revista Contigo eletrônica desacentuada voltada para a área…

Não vou mostrar fotos do exterior do aparelho. Não ia agregar valor nem aumentar a sinergia dessa blogagem, já que hoje em dia geladeira é tudo igual. Antigamente ainda se tinha a possibilidade de escolher cores: azul, beje, amarelo claro. Tinha até geladeira vermelha! Hoje é aquele marasmo branco, da mesma forma que a indústria automobilística, que instituiu a ditadura do prata/preto. De qualquer forma, trata-se de uma humilde Electrolux de 280 litros e porta simples.

Padim
Em vez do pingüim, o Padim.

Muito mais importante é mostrar o conteúdo. No meu caso, a geladeira transcende a simples preservação de alimentos e adquire um caráter litúrgico: trata-se de um altar de adoração a Ninkasi (deusa suméria criadora da cerveja) e Marduk (divindade suprema da Babilônia e cervejeiro).

Eis:

Altar do Lúpulo
O Altar do Lúpulo

Na linha de frente, como peões de um tabuleiro de xadrez, Bohemias. No centro, um clássico: Kaiser Bock, lançada em uma época em que sequer se falava em cervejas diferenciadas no Brasil. No lado esquerdo, um frade Franziskaner na tradicional pose mão na barriga, indicando plena satisfação. Ao fundo abadias Leffe e duas qualidades de Eisenbahn: a frutada Strong Golden Ale e a defumada Rauchbier.

No alto um pote de café, outra bebida sacra. Queijo Gouda - ótimo acompanhamento - e Coca Zero. Comida? Denecessária, preciso perder peso mesmo.

Louvados sejam!

Ninkasi

Marduk

OBS: Agora só falta o site sem acento dizer que Ambev, Electrolux, Kaiser e Coca-Cola alugaram um blog com 50 visitas por dia…

OBS 2: Post apropriadamente escrito ao som de A Fridge Too Far, do GBH. Clique para ampliar a capa:

A Fridge Too Far

OBS 3: Veja outras geladeiras participantes:

Terceiro

Só hoje me dei conta do novo recorde dele, divulgado pelo Capelli: depois do pódio em Silverstone é o piloto com maior número de terceiros lugares.

É impossível não se lembrar da letra do Ultraje a Rigor, especialmente a parte grifada, que parece ter sido escrita sob medida:

Todo equipado, preparado na linha de partida
Daqui a pouco vai ser dada a saída
Todo mundo nervoso e eu não tó nem aí (O importante é competir!)

Então tá, vamo lá, nem vou me preocupar
Já tá tudo armado pra eu me conformar
Eu vou tentar só pra não falar que eu nem sou atleta

Ia ser legal chegar junto na frente
Mas iam falar que quero ser diferente
Tá bom demais, pelo menos eu não saio da reta
Por isso eu sempre sou

Terceiro! Ôba-Ôba!
Terceiro! Ôba-Ôba!
Terceiro! Ôba-Ôba!
Terceiro! Ôba-Ôba!
Terceiro!
Pra mim tá louco de bom!

Marcando passo vou seguindo sem ser muito ligeiro
Com cuidado pra não ser o primeiro
É bonito, eu imito mas o pódium não é pra mim (Eu não sou a fim!)

Se eu me esforço demais vou ficar cansado
Já dá pra enganar eu ficando suado
Se reclamarem eu boto a culpa no patrocinador

Não botaram fé porque não ia dar pé
Não ia dar pé porque não botaram fé
De qualquer forma eu pego um bronze porque eu gosto da cor
Por isso eu sempre sou

Terceiro! Ôba-Ôba!
Terceiro! Ôba-Ôba!
Terceiro! Ôba-Ôba!
Terceiro! Ôba-Ôba!
Terceiro!
Pra mim tá louco de bom!

OBS: pois é, eu tinha dito que não ia mais escrever sobre ele, mas convenhamos: não dava pra deixar passar essa.  :)

Mulher no volante, vitória na Indy Lights

2008 é o ano da mulherada na Indy. Depois de Danica Patrick, ontem, em Nashville, foi a vez da primeira vitória feminina na Indy Lights, divisão de acesso à Indy. E essa é do Brasil: Bia Figueiredo.

“Estratégia” correta leva à vitória

A prova da Indy não chegou até o fim: choveu forte e não se corre em oval com chuva, por razões óbvias. No final, todo mundo entrou para o pitstop, esperando que a chuva não se concretizasse, menos Scott Dixon, que acabou vencendo quando a prova teve que ser cancelada. Estratégia de gênio? Não: rádio quebrado, que impediu que ele ouvisse a ordem para entrar…

O mais belo dos troféus

Na véspera do Dia Mundial do Rock, os vencedores ganharam um troféu único: uma Gibson Les Paul com pintura exclusiva. Não tem a ver exatamente com a data e sim com Nashville, que é considerada a capital da música nos EUA. Mas convenhamos: com uma Les Paul você vai tocar o quê?

Scott Dixon
Scott Dixon

Bia Figueiredo
Bia Figueiredo

Dia Mundial do Rock

Seventh Son of a Seventh Son
O velho vinil resiste

Este texto faz parte da blogagem coletiva sobre o Dia Mundial do Rock, iniciativa do Gilson. A idéia é escrever sobre o papel do rock na vida de cada um, como conheceu, etc, de forma livre (free-rock?).

Antes de mais nada, já adianto que de vez em quando sou uma espécie de traidor do movimento, visto que dependendo da época eu escuto pouco rock e mais outras coisas.

Começo difícil

Tendo nascido em um lar evangélico, o acesso ao rock era inexistente. Menos por proibição e mais pelo fato de que ninguém em casa e nos círculos de convivência ouvia. Em um ambiente desses é impossível escapar aos hinos religiosos quando se é criança e não dá pra sair de casa. Mas se fui privado do rock em idade mais jovem, por outro lado fui protegido da ameaça da MPB e das seitas relacionadas, já que esse estilo também não entrava em casa. Há vantagens e desvantagens em tudo na vida.

Por muito tempo fiquei só nas FMs, ouvindo o pop oitentista. O primeiro contato com rock propriamente dito se deu quando conheci o U2. Isso foi em 1988, quando lançavam o Rattle and Hum. Logo percebi a diferença entre apenas ouvir e ser fã: eu queria mais informação, queria ouvir os outros discos, saber quem eram os caras, etc. Me dei mal, acabei pegando o U2 bem no fim da fase que eu gosto. Logo em seguida a banda daria uma guinada esquisita e se tornaria o que é hoje, um som bem diferente do que eu gostava e um vocalista messiânico que só deveria abrir a boca pra cantar. No show de São Paulo - me disseram, eu não fui - ele era chamado de Bozo Vox sempre que pegava o microfone pra fazer pregação. Faz uma boa dupla com Lula.

O metal chama

Mas o meu destino era o som mais pesado. Em 1990 me apresentaram uma banda chamada Metallica. Depois do choque inicial ao ouvir aquele nível de peso, vi que gostava daquele tipo de som.

Algumas semanas depois, a revelação: caiu na minha mão um walkman com uma fita K-7: era um disco chamado Seventh Son of a Seventh Son. Aí não havia mais como escapar depois de ser pego pelo Iron Maiden. A coisa foi ao ponto de eu comprar guitarra (uma saudosa Fender Squier), aprender as músicas e tocar Running Free em um pequeno festival de uma escola de música.

Conselho: nunca venda sua primeira guitarra. Você VAI se arrepender.

Só que algo estava incompleto. O único show do Iron que eu tinha visto foi o de 1998 com Blaze Bayley, ou seja, um fiasco. Faltava algo. Não pude ir ao Rock in Rio 3 para o grande show da nova formação (antes do Rock in Rio virar uma piada geográfica). Finalmente aconteceu, em 2004: o show do Maiden no Pacaembu. Quase fui esmagado mas vi tudo de perto. Já podia partir para o banquete de Odin em paz.

Eu ainda me aventuraria pelos negros caminhos do death/black metal (salve Marduk - ambos) e pela barulheira do grindcore. Napalm Death!

É claro que eu já havia abandonado o caminho estreito há muito tempo. Seria ligeiramente incompatível com o black metal, por exemplo.

Fender Squier
Não devia ter vendido…

E o rock?

Nunca fui exatamente fã de bandas ditas clássicas, como Beatles, Stones, Queen. Nem fui muito com a cara do som de Seattle na década de 90 (estava em pleno auge do fanatismo metal). Admito que ainda falta conhecer muita coisa antiga, tenho mais de 15 mil músicas em mp3 e não ouvi nem 20% ainda.

Do rock propriamente dito sou muito fã de uma banda/corporação/instituição chamada KISS. Desde os primeiros sons até hoje. Tive inclusive o privilégio de assistir ao show de Interlagos. Gostava particularmente do finado Eric Carr. Poucos discos têm um som de bateria como Creatures of the Night.

Do fanatismo ao som

A idade costuma amansar o fanatismo, e comigo não foi diferente, como está bem explicado no post sobre os Guerreiros do Metal. Isso foi benéfico inclusive para o próprio rock/metal: antigamente eu não suportaria ouvir o Load do Metallica. Ouvi faz algum tempo e achei muito bom. Claro que é outra banda, mas o som é bom e ponto.

Viva o rock, que não apenas se recusa a morrer - ao contrário do que a mídia modernosa adora anunciar a cada 2 ou 3 anos - como se renova a cada dia, se funde numa boa com outros estilos gerando descendentes e costuma aparecer nos lugares mais insuspeitos.

Pra encerrar, dois vídeos. Aces High (com discurso de Churchill e tudo) e You Suffer (salve o grind):


Link do Vídeo


Link do Vídeo

Leia também a história de cada um dos outros blogueiros participantes:

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