Blog do Ronaldo - Página 7
Feed para
Posts
Comentários

Quase não acreditei quando recebi o email: Peter Brötzmann ia tocar em São Paulo, junto com Ivo Perelman. Era o último show que eu esperava assistir. E o melhor, do lado de casa, no SESC Vila Mariana. Bendita hora em que eu saí do Morumbi, ainda mais em dia de jogo grande, quando o transtorno só aumenta para sair do bairro.

Quando fui comprar os ingressos no domingo notei que boa parte da lotação do teatro de 608 lugares já estava vendida. Pensei: “será que esse povo todo faz idéia do que vai ouvir?”. É claro que não.

Chegamos por volta de 20:30, com meia hora de antecedência. No panfleto com o programa, o espaço destinado ao repertório do show trazia a seguinte informação (clique na foto para ampliar). Um modo quase parnasiano de se dizer barulho apocalíptico.

Começa o show com Ivo Perelmann. Paulistano radicado em Nova York, mais de 30 álbuns. É mais um caso de brasileiro que precisa sair do país para fazer sucesso, embora nesse caso seja até compreensível dada a natureza, digamos… difícil do estilo. Ivo fez um show curto de cerca de meia hora, totalmente acústico, com baixo e violino.

A violinista alemã Rosi Hertlein atacou de vocal lírico em uma música, e o público aprovou. O baixista americano Dominic Duval, como não poderia deixar de ser, passou alguns momentos na dimensão paralela dos baixistas. Já explico.

No geral, pode-se dizer que foi uma apresentação pacata, se comparada com o massacre que viria a seguir. Eis uma amostra do som no MySpace.

Pequena pausa, e eis que entra o alemão, depositando seu arsenal de 3 saxofones em uma mesa. Formação típica: bateria, baixo (elétrico) e sax.

Full Blast !
Full Blast !

Peter Brötzmann é um alemão de 67 anos, barba branca e aparência pacata. Ledo engano. Quando começou, o teatro veio abaixo. A primeira peça parecia interminável, cheguei a pensar que ele não ia parar. Atacava furiosamente o sax, acompanhado pelo baixo cheio de efeitos e por uma bateria pra lá de ensandecida. Abriram com a primeira faixa do último álbum, Full Blast (2006). Difícil pensar em um título mais apropriado.

O baterista Michael Wertmuller foi um show à parte. Poderia perfeitamente tocar em uma banda de grindcore e em muitos momentos só faltou o vocal para se caracterizar o mais legítimo grind. Nem pedal duplo faltou. Sou da opinião de que todo kit de bateria tem um propósito: o de ser impiedosamente espancado, mesmo que na maior parte do tempo seja usado para ritmos leves. O kit de Wertmuller cumpriu perfeitamente seu propósito neste show.

O baixista Marino Pliakas usou e abusou de efeitos e, como todo baixista, entrou em alguns momentos em uma dimensão paralela de possessão instrumental, o baixismo, onde o som do baixo se sobrepõe a tudo e não se ouve mais nada. Pelo que já assisti e presenciei em ensaios, parece ser algo típico no instrumento.

Possessão, aliás, foi o que não faltou no palco. Em alguns momentos o sax soava com aquela sonoridade sofrida de Albert Ayler.

Terminada a primeira música, Brötzmann toma o microfone, faz as apresentações e agradece a presença de todos em um inglês com sotaque, meio ofegante e quase sem voz. Pensamos que ele mal ia agüentar o resto do show. Mas com exceção de um ou outro momento mais lento, foi porrada até o fim. Pulmão de aço.

Bônus

Bom, nesse ponto começou o bônus que costuma acontecer em todo show de free jazz. Aconteceu no Chivas Jazz e é claro que aconteceria aqui. Lembram-se quando eu estranhei a boa venda de ingressos? Pois é. Acontece que muita gente, frequentadores sofisticados do SESC que são, deve ler “Free Jazz” e imaginar que é apenas a tradução literal.

- Jazz livre? Deve ser um jazz mais solto, moderno. Vamos?

- Legal, vamos.

Quando a barulheira começa, a verdade vem à tona. E é nesse ponto que os casais começam a se levantar e deixar o recinto. O que para nós, fãs do estilo, é algo que já paga o ingresso.

Vejam, não se trata de desdenhar de quem não gosta ou algo assim. Mas em tempos de internet e YouTube só vai a um show desconhecendo o que vai ser apresentado quem quer. Não custa nada gastar 2 minutos e pesquisar o nome do artista antes. Daí o sujeito metido a descolado quer impressionar a namorada - depois de ter lido aquela bela descrição do repertório - e quebra a cara. Depois não reclame dos fãs de free rindo dos “desistentes”.

Amostra

O SESC não permite o registro dos shows, então não há vídeo nem fotos, mas o gravador de voz do celular ficou acidentalmente ligado durante a apresentação e registrou tudo. O som está meio embolado mas este  trecho de 1 minuto sintetiza bem a noite.

Para finalizar, dois momentos do trio em vídeo. O primeiro há cerca de um mês em Cheltenham, Reino Unido. O segundo é de um ano atrás, em Shangai, China.

Com o volume bem alto, dão uma idéia audio-visual do que ocorreu nesta quarta no SESC.

Vida longa e barulhenta ao free jazz.


Link do Vídeo


Link do Vídeo

Se a Grande Corporação do Lúpulo entope o Brasil com cerveja insossa, por outro lado vem aumentando a oferta de cervejas dignas do nome, fazendo com que o brasileiro possa comungar devidamente com Marduk e Ninkasi logo ali no supermercado.

O Pão de Açúcar é uma boa opção, apesar da irritante campanha “O que faz você feliz?” nos auto-falantes. O que me faz feliz é NÃO ouvir essa campanha.

Como faço sempre, passei hoje pela seção de cervejas para conferir se havia alguma novidade. Havia. Era loura e belga.

Quem me acompanha sabe que a Bohemia Confraria é preferência da casa. Assim, quando eu li Abadia no rótulo da Leffe Blonde a dúvida “levo ou não” se desfez. Nada como comparar cervejas semelhantes.

É bem parecida com a Confraria, inclusive na graduação alcoólica (6,5%). Um pouco mais cara.

A Ambev, que de boba não tem nada, percebeu a boa aceitação da Confraria e trouxe a Abadia mais vendida no mundo. Que continue nesse caminho.

É injusto falar que não se trabalha no Congresso. Nosso representantes estão lá, na lida, dia a dia, exceto nos recessos. Legislando pelo bem da nação.

O deputado Edigar Mão Branca (PV-BA) não gostou quando a Mesa Diretora da Câmara tentou proibi-lo de usar chapéu no plenário e fez o que é pago para fazer: legislou. Teve um projeto de lei aprovado para liberar o uso de chapéu em locais públicos ou privados, sem qualquer censura.

Na época em que foi barrado, o excelentíssimo deputado afirmou que “o chapéu fazia parte da cultura do interior do Nordeste”. Talvez ele também cogite ir trabalhar de jumento, meio de transporte típico da sua terra.

Não é a primeira vez que alguém tenta usar trajes típicos em solenidades públicas. Se liberar para todo mundo o Congresso vai parecer assembléia da ONU.

Qualquer empresa tem normas de vestuário. Eu acho que existem normas até demais, mas quem quer trabalhar que se adapte. Ou não trabalhe. O problema é que essa “empresa” tem uma característica peculiar: os próprios empregados é que fazem as normas. Não é à toa que não funciona.

Também quero chapéu

E, assim sendo, como paulista do interior eu exijo o direito de me trajar como violeiro e executar uma catira em pleno Congresso. Com um belo chapéu, aliás.

Tião Carreiro e Pardinho

Essa conversinha de “diversidade” já encheu a paciência. Será mesmo necessário ficar afirmando os valores do próprio estado de origem 24 horas por dia? É necessário ser assim tão provinciano? Isso soa mais a insegurança.

Melhor aproveitar e conhecer o lugar onde se está. Quando vou ao Maranhão não fico exaltando as glórias passadas do café e das modas de viola. Vou é tomar Guaraná Jesus e ver o boi.

Pensando bem, como co-responsável pelo resgate da obra de Damião Experiença, acho que vou reivindicar logo o direito de usar o chapéu abaixo. Será que seria permitido no plenário do Congresso?

Daiminhão Experyença

Achado no blog de Marco Aurélio, o ímpio.

O grande problema com notebooks, além da duração da bateria, é a temperatura. É bem mais complicado resfriar um processador confinado em um espaço cada vez menor do que em um gabinete amplo onde até refrigeração a água tem vez.

Comprei um Toshiba Satellite A-105 usado da minha irmã. Enquanto reinstalava tudo para exterminar o lixo agregado, notei que ele aquecia razoavelmente na área de apoio da mão esquerda. Enquanto rodava Service Pack e baixava uma infinidade de atualizações de segurança, o note simplesmente desligou. Suspeitando da temperatura, tratei de refazer a instalação dando um tempo para ele resfriar de vez em quando.

Depois minha irmã confirmou esse comportamento eventual. Tendo entrado no mundo da mobilidade há poucos meses, eu não fazia idéia que o superaquecimento pode até fazer um note desligar sozinho, como medida de segurança (você perde dados, mas preserva o hardware).

Comecei a procurar soluções para o problema. Para ajudar a resfriar há vários modelos de bases para apoiar notebook equipadas com um ou 2 coolers. Isso ia sair por alguma coisa entre 50 e 100 reais. Mas não ligue ainda!

Já estava prestes a comprar uma dessas quando resolvi pesquisar um pouco. O Google (clemente e misericordioso) me poupou essa despesa. Em um fórum de discussão encontrei uma solução gratuita e extremamente simples: aspirador de pó.

aspirador

O grande inimigo na verdade é a poeira que se acumula no notebook e impede a saída do ar quente. Quando li aquilo não botei muita fé, mas como não custava nada tentar, aspirei o note na saída de ar quente, junto ao ventilador, saída PCMCIA e onde mais houvesse uma abertura.

cooler

arquente

bateria

O milagre foi operado e assim que eu liguei o note vi a temperatura cair em 20 graus. Sim, 20°C a menos sem gastar um centavo. Como minha irmã também desconhecia o problema, o Toshiba nunca foi aspirado e ficou mais de 1 ano acumulando poeira. O ar quente já estava praticamente confinado, muito pouco escapava.

Usando o Everest, um ótimo software de diagnóstico que informa a temperatura do processador, monitorei o resultado. Antes da limpeza ficava em torno de 70°C, chegando facilmente a 90°C conforme a utilização. Teve até um pico de 100°C. O pobre Core 2 Duo ia ter uma vida curta desse jeito. Depois da aspiração, não consigo fazer chegar a 90°C de jeito nenhum, e na maior parte do tempo não passa de 60°C.

Eis as leituras, o famoso antes e depois. Temperaturas do HD, Núcleo 1, Núcleo 2 e CPU.

Antes

t1
Em repouso
t2
Uso Intenso
t3 Cozinhando

Depois

t4
Em repouso
t5
Uso Intenso

Antes de gastar dinheiro com coolers, dê uma aspirada no note de vez em quando.

Lendo o texto do Cardoso sobre os erros Hollywood envolvendo tecnologia, a primeira coisa que me veio à mente foi Independence Day. E eu não fui o único, todo mundo se lembrou nos comentários. ID4 virou uma referência nesse assunto depois de ter mostrado como é fácil infectar com um vírus de computador uma nave alienígena de tecnologia muito superior e equipada com escudos de energia.

Se na questão da comunicação verbal Hollywood pelo menos cria a dificuldade de línguas alienígenas, a compatilidade entre tecnologias é uma farra. O filme assume que criar software é a mesma coisa em todo o universo e que um sistema operacional alienígena é totalmente compatível com os terrestres. Para o público leigo a cena era fácil de engolir. Mas era tão absurda quanto imaginar que você é capaz de trocar uma idéia instantaneamente com um alien que pousasse no seu quintal e que não soubesse falar inglês, português ou qualquer língua terrestre.

O heróico geek do filme teria que aprender instantaneamente não só a linguagem de programação mas os protocolos de comunicação, além de quebrar a segurança dos sistemas de uma civilização que sequer utilizava a comunicação verbal: já tinham até evoluído para a telepatia. A menos que…

Seria a linguagem C++ tão poderosa a ponto de ser compatível com sistemas operacionais alienígenas?

Fiquei imaginando se haveria no filme alguma cena que denunciasse em que linguagem o vírus havia sido escrito. Peguei o DVD e fui conferir. Não deu outra:

O vírus de ID4 foi escrito em C++

Virus ID4

Como se não bastasse, o vírus foi criado em um Mac. Fosse hoje, os adoradores de Steve Jobs diriam que o Mac é até capaz de salvar o planeta.

Página 7 de 52« Primeira...«56789»...Última »