Papel Higiênico ou a glória socialista. Você escolhe.
Nov 11th, 2008
Em vez de ler o que eu – que nunca passei nem perto do leste europeu – escrevo, muito melhor ler o relato de quem esteve lá e viu como era a coisa. Mas ver não bastava, muita gente via e tentava se convencer de que aquilo era o futuro, o regime ideal. Para os outros, claro. Para entender de fato, era preciso ver e não ser catequizado.
Janer Cristaldo é dos raríssimos intelectuais brasileiros que não passou por aquela fase adolescente de dizer amém a Stalin. Exatamente por isso, foi proscrito das redações. Exatamente por isso, não ficava lutando contra si mesmo em busca de justificativas para louvar um regime decadente. Viajante inveterado, foi lá ver como era o regime de incontáveis virtudes socialistas. Encontrou virtudes bem deformadas – e não me refiro ao derretimento da Planície Racional.
Segue uma pequena seleção de textos de uma testemunha da história que não deixou de arrancar ele mesmo umas lascas do muro a marretadas, em 1990. Há um pouco de tudo: burocracia para obter papel higiênico – jamais um rolo inteiro – em hotéis de luxo, proibição de barcos a vela no litoral para evitar a tentação de fugir velejando, os famosos supermercados vazios, gente falando baixo nos bares pois o vizinho podia ser um “puliça” do regime, e por aí vai.
- MEMÓRIAS DE UM EX-ESCRITOR (XVIII) – Mostrando a prática do socialismo romeno a um grupo de teóricos. Não gostaram muito.
- Crônicas da Guerra Fria (20) – Mais Romênia.
- PAPEL HIGIÊNICO E SOCIALISMO – Relacionando a escassez do produto na época com a escassez atual na Venezuela.
- LÁ! – Este texto soberbo infelizmente não vingou. Mas continua válido.
Esses e outras dezenas de textos estão no ebook Crônicas da Guerra Fria, em PDF e HTML.
A queda do muro e da URSS era para ter sido o prego no caixão do regime, que foi abandonado até por Damião Experiença (mais lúcido em geopolítica do que Chico Buarque, nunca me cansarei de repetir isso).
Até foi, mas sobrou um foco em uma ilha que nem precisa de muro para isolar a população. Fora isso, continua brotando aqui e ali de vez em quando. Onde? Na América Latina, claro! O puxadinho do planeta…
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