Querubim Girafa
Jun 21st, 2009
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Na manhã de 11 de setembro de 2001, eu estava no trabalho quando alguém informou sobre um avião que colidira com uma das torres do World Trade Center. O resto, todo mundo já sabe.
Só não sabem dos desdobramentos naquele saudoso local de trabalho. No clima de perplexidade e especulação que tomou conta de praticamente todos os escritórios do mundo, os mais crédulos começaram com a palhaçada habitual: seria o prenúncio da Terceira Guerra Mundial? Seria o fim do mundo?
Divertido com a situação, o Profeta DigiTao, recém-chegado àquelas paragens, trata de dar corda às mocinhas assustadas e sugere a possibilidade de Deus retornar em breve na forma de uma Girafa. Nos rostos, aquela expressão de quem não acredita no que acabou de ouvir . “E por acaso vocês sabem qual a forma de Deus? Não poderia ser uma girafa?”. Ao mesmo tempo em que assistia a essa cena única, eu pensava em como aquilo fazia sentido. Depois desse dia, nunca mais consegui ver Deus da mesma maneira.
Um belo dia, cinco anos depois, eis que estávamos no Shopping Market Place almoçando, quando divisamos no teto, junto às estruturas metálicas, um resquício de enfeites de Natal/Ano Novo/ Dia das Crianças ou sei lá o que. Era uma girafa de papel. Imediatamente retomamos o cenário do 11/09 e aperfeiçoamos ali mesmo a visão: uma divindade cercada de hostes de querubins em formato de girafas, cantando HOSANA. Estava criado o Querubim Girafa.

A visão consubstanciada em papel
Para encurtar a história: como o mundo não acabou, decidimos lançar o disco.
A faixa-título é uma tentativa quase desastrosa de emular A Queima das Almas, do álbum Nação.
( ) é uma vinheta que inicia de forma tensa e sofre uma ruptura violenta, tornando-se confusa e sem qualquer resolução. Perfeita para apresentar a faixa seguinte:
Despreparo começa com um piano em arritmia e passa a maior parte do tempo com bateria e teclado sendo perturbados por um dial de FM. Precisa ser ouvida até o fim para que se entenda o título e a revelação decorrente. Persevere, reflita na mensagem final e colherá a recompensa. É uma das minhas composições favoritas.
Fluido Elétrico: pequeno fragmento microfonal com baixo em delay.
Fluido Magnético: pecussão generalizada, incluindo o mesmo aquafone utilizado em Desmúsica. Percussão com delay fica bem interessante, perturba bastante a noção de ritmo. Aqui começam as experiências com ataques de micro-blastbeats. O baixo, como acontecia com uma frequência angustiante, se mostra completamente alheio ao que ocorre ao redor.
Da arte de ouvir Coleman Hawkins é um exemplo do que acontece quando se mistura uma frase de teclado repetida à exaustão, software de emulação de sintetizadores e tempo livre. Audição difícil até mesmo para uma girafa.
Bacante é free jazz acrescido de cordas de guitarra. A ausência do baixo deve-se ao fato do baixista estar nas cordas.
A Hora da Estrela não é Clarice, e sim uma ode à Estrela da Manhã. De vez em quando gostamos de exercitar a veia black metal. Com delay, é óbvio.
Para deleite dos fãs, o álbum fecha com um microfonal: Por Arbor. Se, a esta altura, você ainda não concluiu que somos fãs de Flash Gordon, é porque não assistiu. Assista.
E faça o download do Querubim.
Após o Querubim, prosseguimos nessa temática de divindades, porém com uma pequena mudança: ao invés de girafa, um touro. Ao invés de nuvens macias, fogo.
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