Red Bull acerta na mosca e pisa em alguns calos
Oct 19th, 2009
Quando foi ao ar o episódio em que os Simpsons visitaram o Rio, houve escândalo nacional: como ousavam mostrar moleques de rua batendo a carteira do Homer e macacos no meio da rua? Na verdade, o escândalo foi estadual, visto que quem se doeu foi a RioTur. Agora que ganharam um caríssimo brinquedo de armar, a ser entregue daqui a 7 anos, devem estar mais felizes.
Pois nesta semana de GP Brasil, houve quem reproduzisse esse comportamento patético.
A RBR (Red Bull Racing) sempre publica um boletim bem humorado à imprensa quando uma nova corrida se aproxima, tirando uma onda do país/cidade, o Red Bulletin. Só que no mundo atual, humor não tem quase mais espaço, já que qualquer um se ofende por qualquer coisa.
No caso de São Paulo, a nota era um guia de sobrevivência na cidade. Mencionava o Brasil como uma “droga viciante”:
Com ótima comida, poderosos drinques, música intoxicante (mas não tão intoxicante quanto a caipirinha) e gente bonita, como não gostar?”
Depois, dizia que, “como toda droga, às vezes era melhor dizer não”. Então, listava uma série de perguntas às quais se deveria responder “não”.
- Esse Rolex é original?
- Gostaria de sua oitava caipirinha?
- Tenho de parar no farol vermelho?
- Gstaria de encontrar uma garota muito bonita que eu conheço?
- Ela é realmente uma garota?
- Quer mais carne?
- Posso estacionar seu carro?
- Será que minha mulher vai acreditar que esse fio-dental na minha mala é um presente para ela?
E por aí vai.
Me digam: alguma dessas situações é fantasiosa? Ou São Paulo de repente não tem mais camelô, flanelinha, churrascaria, assalto em semáforo, travestis, garotas de programa e eu não fiquei sabendo?
Qualquer mecânico da F-1 vem à cidade já pensando nos rodízios e nas jovens universitárias que pagam sua faculdade com meios alternativos.
Pergunte a algum profissional de TI que já utilizou os serviços terapêuticos de Oscar Maroni se ele se ofendeu com a nota.
A coisa escalou até o ponto do ridículo: propostas de boicote à Red Bull em um blog que já saiu do ar. Escrito naquele tom adolescente revoltado que xinga os estadunidenses (pouco importa que a RBR seja austríaca). Passamos a adotar a afetação da RioTur em escala nacional. É aquela coisa: eu posso criticar a terra dos outros, mas o gringo não pode criticar a minha. Policarpo Quaresma não morreu.
O que é mais lamentável nessas reações é que dão a entender que a coisa é pessoal, que fizeram especificamente contra o Brasil. Sendo que tanto Simpsons quanto a RBR fazem isso com todo mundo. Homer já fez a carruagem da rainha Elisabeth II capotar e todo mundo deu risada. Tony Blair inclusive teria dublado a própria voz. O Brasil é bem menos importante do que essa patrulha dá a entender.
Nessa palhaçada toda, não posso deixar de citar 2 textos onde o bom senso imperou. Flávio Gomes, que não é dado a seguir rebanhos, e Anderson Costa, que escreveu um detalhado texto com exemplos do Red Bulletin e fazendo a mesma comparação óbvia com os Simpsons no Rio. Ganhou um leitor.
E a correção política segue matando lentamente a civilização.
OBS: Eu ia linkar a nota original, mas está fora do ar. A Red Bull acabou cedendo à gritaria ofendidinha.
OBS 2: A RBR ganhou a corrida. E seus membros devem ter comemorado de todas essa maneiras citadas acima, como sempre aconteceu e sempre vai acontecer. Usando o guia de sobrevivência, claro.
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Fala Ronaldo, bele?
Te vi no MB e resolvi te fazer uma visita… Po curti muito seu blog, parabens!!
Curto blog assim que escreve material proprio, sem esse negocio de chupinar piadas e temas de outros…
Parabens pela luta!
Tamos na luta!
Grato pela visita.
Na luta diária, como diria Damião.
Oi Ronaldo,
Obrigada pela citação! Só pra comprovar a teoria, vários mecânicos da Porsche foram assaltados nos arredores do autódromo e perderam relógios, laptops e celulares. E não se pode rir do que sempre acontece! Absurdo.
Viva a Red Bull, que calou a boca de todo mundo!
Pois é Bárbara, essa nossa São Paulo de Piratininga é complicada. Eu não sei como resolver todos os problemas, mas sei como não resolver: fingir que não existem.
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