Tudo Morre Ao Ser Pensado
Oct 24th, 2009
Lembra do vídeo Betamax? Do mini-disc? Tancredo? E o Copersucar do Émerson?
Tantas foram as idéias que, assim que deram o primeiro sopro de vida, morreram. Algumas ainda estrebucharam um pouco, em estertores de agonia, como Gurgel, RPM. Outras, como o Esperanto, se recusam a morrer com dignidade, vivendo em uma espécie de limbo. Boa parte delas surge na nossa querida área de tecnologia, mas nem todas.
Estão todas lá, na capa de Tudo Morre Ao Ser Pensado. O título é outro mote antigo da banda, que foi se materializando e aglutinando todos estes sub-produtos do pensamento. Se eu ousei comparar o verso do Altar Quântico com o Somewhere In Time, o que dizer deste? Clique na capa e no verso para ampliar, e divirta-se procurando os produtos e idéias natimortos. Olhe com atenção: alguns não são tão óbvios.
Tudo Morre também representa a morte da banda como foi concebida, mas não da sua essência: transformar tudo em som. É o último registro antes da chegada dos portugueses, que daria início à Fase dos Álbuns Brancos.
Tudo Morre Ao Ser Pensado: abre o álbum com um clima tenso de teclado, refletindo todo o risco de uma nova idéia. A perturbação só faz aumentar com o sax free e a bateria-ferroviária à Ayler. Garrafas chamam o mote, que é pronunciado com fúria, sepultando de vez as idéias.
Capoeira Superfluída: roda de capoeira supersimétrica.
Felicidade: base borbulhante e teclados esparsos.
SpaceSambá: samba-reason, com um ritmo meio bossa, cuíca open-source e uma letra com rima obsessiva.
Chegada Real: uma das mais pungentes e soberbas faixas da banda. Um ritmo rápido e constante serve de base para um toque triunfal que anuncia a chegada austera do soberano. Que pode ser um ovino ou um caprino. Fica a seu critério.
Astroblack: base e teclados que vão se transformando em um agudo tormento de frequências. Trilha sonora da aproximação e pouso de uma nave qualquer.
Brasil: faixa confusa, vários instrumentos tentando se acertar, sem nexo, sem direção, sem ordem, sem critério algum. Bem titulada.
Camocidade: base reason e um Camós discreto dão o tom para várias instâncias da transmissão de Portuguesa x Vila Nova pelo rádio, com eventual interferência de Jesus. Não há gols. Jogos de futebol às vezes também morrem ao ser pensados.
Hello Dolly: faixa confusa como são as idéias em fase de maturação. Tem de tudo aqui: bateria perdida, bateria invertida, teclados sem resolução, vocal grind. Morre subitamente após quase 6 minutos.
As fases branca e preta já foram resenhadas. Dando um salto quântisonórico, passemos ao período seguinte, em que predomina a evolução (aquela mesma, do sinhô Darwin).
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